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Levantamento Florístico de Áreas Verdes Municipais – SVMA

quarta-feira, agosto 31st, 2011

Biol. Nadia Said Ávila Biol. Ricardo José Francischetti Garcia Biol. Simone Justamante De Sordi Biol. Sumiko Honda – Coordenadora

Introdução

A cidade de São Paulo está situada na Bacia de São Paulo, em condições ambientais bastante singulares de geomorfologia, rele­vo, drenagem, proximidade do mar, altitude e solos.

Devido a estas condições físicas, a vegetação nativa da região constituía-se das seguintes formações vegetais: floresta (moto), campo, campo cerrado, campos e florestas de várzea e brejos. No caso das matas, há claramente elementos f1orísticos (espécies) de ecossistemas bastantes distintos como os de Mata de Pinhal, mata de encosta da Serra do Mar e matas semidecíduas do interior paulista.

Toda esta diversidade de ambientes e espécies foi muito pouco estudada, tendo em vista o ritmo acelerado com que vem ocorren­do a expansão urbana e apesar da quantidade de instituições de pesquisa e universidades existentes na região.

Visando contribuir para o conhecimento das espécies ocor­rentes no Município, o Departamento de Parques e Areas Verdes (DEPAVE) através do CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL (CEA) vem desenvolvendo, desde 1984, o levantamento de espécies vege­tais dos Parques Municipais e logradouros públicos.

Tais trabalhos já permitiram a divulgação, para a população, de espécies significativas; especialmente do ponto de vista pai­sagístico, de 17 Parques Municipais através de roteiros botânicos, publicações distribuídas à população com a localização das espé­cies significativas (PMSP & CPHN, 1985-88), além da colocação de placas indicativas contendo nomes popular e científico, local de origem e família botânica.

Além do aspecto educativo, essencial para despertar nos usuários dos parques a atenção sobre a diversidade da flora aqui existente e a necessidade de sua conservação, o trabalho do levan­tamento f1orístico tem ainda as seguintes aplicações:

- Diagnosticar o estado sucessional das formações florestais (mata primária, mata secundária ou capoeira), de modo a orientar ações de manejo da vegetação como o plantio de determinadas espécies (Morais et aI., 1992), a remoção de espécies invasoras etc.;

- Caracterizar o tipo e estado de conservação da vegetação a fim de aplicar a legislação no tocante a áreas de preservação per­manente;

- Indicar espécimes que tenham valor como porta-sementes ou matrizes tendo em vista produzir mudas para fins ornamentais e para recuperação ambiental;

- Orientar na escolha das áreas verdes para preservação em novos loteamentos bem como na escolha de áreas verdes para futuros parques e reservas ecológicas;

- Subsidiar trabalhos de divulgação científica (Pirani & Cortopassi-Laurino, 1993).

Metodologia

Em geral, o levantamento f1orístico requer a coleta de ramos férteis (com flores e/ou com frutos) que são retirados da planta, passando por um processo de herborização (prensagem e secagem em estufa). Estes materiais são posteriormente identifica­dos, utilizando-se chaves analíticas e comparação com material de herbário. Na maioria das vezes, estes materiais são incluídos no Herbário Municipal para futuras consultas. Os herbários são locais onde as plantas secas e identificadas são guardadas em condições que favoreçam sua conservação por muitos anos, permitindo desta forma o registro (documentação) da flora existente na cidade ao longo das décadas.

No sentido de produzir uma documentação mais apurada o Centro de Educação Ambiental – CEA – está atualmente realizan­do o levantamento da mata do Parque Santo Dias (Capão Redondo), do Aterro Sanitário do Jacuí – São Miguel Paulista (Fukusima-Hein et 01.,1992) e de uma área degradada recém incorporada ao Parque Previdência (Butantã), estes últimos visando o acompanhamento da regeneração natural e induzida. Para tanto há necessidade de coleta de material botânico ao longo de, no mínimo, I ano, para tentar cobrir a época de florescimento/frutifi­cação das espécies. No caso do Aterro Sanitário do Jacuí este tempo não deverá ser inferior a la anos.

Para a coleta s60 utilizadas tesoura de poda, tesoura de alto poda (podão), sacos plásticos e caderno de anotações.

O Herbário Municipal encontra-se atualmente na sede do CEA, no Parque Previdência, sito à rua Pedro Piccinini, 88 ­Butantã -, estando aberto para consulta dos interessados. O CEA também recebe materiais para identificação desde que estejam em condições satisfatórias para análise (ramos devidamente secos, com informações da coleta e em estado reprodutivo) e mantém intercâmbio com outros herbários como o do Instituto de Botânica de São Paulo e do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Possui cerca de 2000 exsicatas (plantas secas numeradas e identificadas ou em processo de identificação) e pretende-se, tão logo seja possível, registrar o Herbário Municipal no Index Herbariorum, cadastro de abrangên­cia mundial.

Complementarmente, para cerca de 1500 espécies, existentes ou não no Herbário, foram preenchidas fichas que compõem o Banco de Dados sobre Plantas Nativas e Cultivadas (Pompéia et 01.,1987), contendo informações de caráter botânico e de cultivo, obtidas através de pesquisa em bibliografia, análise de material herborizado ou observações de campo.

Resultados e Comentários

No Quadro 1 é apresentada a listagem de espécies que ocor­rem no município de São Paulo e que se encontram depositadas no Herbário Municipal. Também foram incluídas as espécies ocor­rentes no Centro Municipal de Campismo (município de Cotia). São relacionadas desde ervas ruderais até árvores; desde plantas nativas até as exóticas cultivadas.

Quadro 1: Listagem das Espécies que ocorre no Município de São Paulo registradas no Herbário Municipal (PMSP)

Família ACANTHACEAE

Asystasia gangetica T. Anders Be/operone guttata Brand. Fittonia verschaffe/tii Coem. Geissomeria hohnei Mild. Br. Ruellia sp.

Sanchezia nobilis Hook. Sanchezia speciosa J. Leon. Sanchezia sp.

Thunbergia a/ata Bojer Thunbergia grandif/ora Roxb. Thunbergia sp.

Família AGAVACEAE

Beaucarnia recurvata Lem. Cordiline sp.

Dracaena fragans Ker-Gawl. Yucca sp.

Família ALlSMATACEAE

Echinodorus sp.

Família AMARANTHACEAE

A/ternanthera bettzickiana Nichols A/ternanthera ficoidea (L.) R. Br A/ternanthera phi/oxeroides (Mart.) Griseb. A/ternanthera vetsicolor Regei A/ternanthera sp.

Amaranthus deflexus L.

Amaranthus cf. hybridus L.

Amaranthus cf. lívidus L. Amaranthus spinosus L. Amaranthus sp.

Iresine herbstii Hook.

Família AMARYLLlDACEAE

Bomarea spectabilis Schenck Crinum sp.

Família ANACARDIACEAE

Mangifera indica L.

Schinus terebinthifolius Raddi

Família ANNONACEAE

Annona cf. cacans Warm.

Annona montana Macf. ememd. R. E. Fr. Guatteria australis St. Hil.

Guatteria sp.

Família APOCYNACEAE

Allamanda cathartica L. Aspidosperma ramiflorum Muell. Arg. Beaumontia grandiflora Wall Catharanthus roseus (L.) Don Catharanthus sp.

Nerium oleander L.

PeItastes malvaeflorus Woods Plumeria sp.

Thevetia peru viana Schum. Thevetia sp.

Família AQUIFOLlACEAE

lIex cassine L.

Família ARACEAE

Anthurium sp.

Asterostigma lividum (Lodd.) Engl.

Família ARALlACEAE

Dendropanax sp. Fatshedera lizei Scheft/era sp.

Família ASCLEPIAOACEAE

Asclepias curassavica L. Gomphocarpus brasiliensis Fourn.

Família BALSAMINACEAE

Impatiens sultanií Hook.

Família BEGONIACEAE

Begonia semperflores Link & OUo Família BIGNONIACEAE

Anemopaegma prostatum Pyr. et OC. Arrabidaea seltoi (Spreng.) Sandw. Cybistax antisyphilitica (Mart.) Mart. Jacaranda macrantha Cham. Jacaranda mimosifolia O. Oon Jacaranda puberula Cham. Jacaranda sp.

Macfadyena unguis-cati (L.) A. Gentry

Pithecoctenium dolichoides (Cham.) Bur, ex K. Schum. Pyrostegia venusta (Ker-gaw.) Miers

Spathodea campanulata Beauv.

Tabebuia cf. avellanedae Lorentz ex Griseb. Tabebuia chrysotricha (Mart. ex OC.) Standley Tabebuia heptaphy/la (Vell.) Toledo

Tabebuia impetiginosa (Mart. ex OC.) Standley Tabebuia sp.

Stenolobium stans Seem.

Família BOMBACACEAE

Ceiba erianthos Schuman Chorisia speciosa St. Hil. Pachira aquatica Aubl. Pachira sp.

Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns

Família BORAGINACEAE

Cordia verbenaceae OC. Symphytum officinale L.

Família BROMELlACEAETi/landsia cf. usneoides L.

Família BURSERACEAE

Protium widgrenii Engler

Família CACTACEAE

Hatiora salicornioides (Haw.) Britt e Rose Pereskia grandifo/ia Haw.

Rhipsa/is sp.

Família CAMPANULACEAE

Lobe/ia cf. erinus L.

Família CANNACEAE

Canna indica L.

Família CAPPARIDACEAE C/eome spinosa L.

Família CAPRIFOLlACEAE

Lonicera japonica Thunb. Família CARICACEAE

Jacaratia heptaphy/la A.DC. Família CARYOPHYLLACEAE Drymaria corda ta (L.) Willd. Família CASUARINACEAE

Casuarina equisetifo/ia L.

Família CELASTRACEAE

Maytenus a/aternoides Reiss. Maytenus evonymoides Reiss. Maytenus sp.

Família CHENOPODIACEAE

Chenopodium a/bum L.

Família CLETHRACEAE

Clethra scabra Pers. varo laevigata (Meissn.) Sleumer

Família COMBRETACEAE

Combretum fruticosum (Loefl) Stuntz

Família COMMELlNACEAE

Commelina benghalensis L. Commelina cf. robusta Kunth. Dichorisandra pubescens Mart. Dichorisandra thyrsiflora Mik. Tradescantia cf. fluminensis Vell. Tripogandra diuretica (Mart.) Hand. Zebrina pendula Schr.

Família COMPOSITAE

Achillea millefolium L.

Achyrocline satureioides (Lam.) DC. Ageratum conyzoides L.

Artemisia camphorata

Artemisia lactiflora Wall

Aster laevis L.

Aster squamatus (Spreng.) Hieron. Baccharidastrum triplinervium Baccharis dracunculifolia DC. Bidens pilosa L.

Centaurea cineraria L.

Chaptalia nutans (L.) Polak. Chrysanthemun anetifolium Brouss Chrysanthemun maximum Ram. Chrysanthemun sp.

Cichorium intybus L.

Eclipta alba Hassk.

Elephantopus mollis H.B.K.

Emitia sonchifolia DC.

Eupatorium maximitianii Schrad. Eupatorium hecatanthum (DC.) Bak. Eupatorium sp.

Galinsoga ciliata (Raf.) Blake Galinsoga parviflora Cavo Gazania rigens R. Br. Matricharia chamomilla L.

Mikania sp.

Parthenium hysterophorus L. Piptocarpha axi/laris (Less) Backer Porophy/lum rudera/e (Jacq.) Casso Senecio brasiliensis Less.

Senecio confusus

Senecio mikanoides

Soliva pterosperma (Juss.) Less. Sonchus asper (L.) Hill

Sonchus o/eraceus L. Synedre/loca nodiflora Gaert. Taraxacum officina/e Weber

Trixis antimenorrhaea (Schr.) Mart. Vernonia chamissonis Less. Vernonia discotor (Spreng.) Less. Vernonia ferruginea Less. Vernonia pecio/aris DC.

Vernonia po/yanthes Less. Vernonia scorpioides (Lam.) Pers. Vernonia westiniana Less.

Wede/ia pa/udosa DC.

Família CONVOLVULACEAE

Cuscuta racemosa Mart. Evo/vu/us cf. sericeus Moric. Evo/vu/us sp.

/pomoea sristoíocnieetotie (H.B.K.) Don /pomoea cairica (L.) Sweet.

/pomoea coccinea L.

/pomoea mexicana A.Gray

/pomoea quamoclit L.

/pomoea sp.

Família CRASSULACEAE

Bryophy/lum ca/ycinum Sal. Sedumsp.

Família CRUCIFERAE

Aruca sativa

Cardamine bonariensis Pers. Coronopus didymus (L.) Smith Mathio/a incana R.Br. Raphanus sp.

Família CUCURBITACEAE

Cucumis sativus L. Momordica charantia L. Trianosperma taynya Mart.

Família CUPRESSACEAE

Thuya aurea Hort

Família CYPERACEAE

Cyperus alternifolius L. Cyperus escu/entus L. Cyperus pohlii (Ness) Steud. Cyperus rotundus L. Cyperus sp.

Rhynchospora nervosa (Vahl). Boeck. Rhynchospora cf. corymbosa (L.) Britt.

Família DILLENIACEAE

Davi/la rugosa Don

Família DIOSCOREACEAE

Dioscorea cf. de-mourae UI. Dioscorea subhastata Vell. Dioscorea sp.

Família ELAEOCARPACEAE

Muntingia ca/abura L. S/oanea monosperma Vell.

Família ERICACEAE

Rhododendron simsii Planch.

Família ERYTHROXYLACEAE

Erythroxy/um coca Lam. Erythroxy/um cf.deciduum St. Hill.

Erythroxy/um sp.

Família EUPHORBIACEAE

Aca/ypha hispida Burm. Aca/ypha wilkesiana Muell. Arg. Aca/ypha sp.

Actinostemon macrocarpus Muell. Arg. Actinostemon sp

Alchornea sidifolia Saill

Alchornea triplinervia (Spreng.) M.Arg. Aleurites moluccana (L.) Willd. Codiaeum variegatum (L.) SI.

Croton floribundus Spreng.

Croton glandulosus (L.) Muell. Arg. Oalechampia sp.

Euphorbia cotinifolia L.

Euphorbia heterophy/la L. Euphorbia milii Desm. varo milii Euphorbia hirta L.

Euphorbia prostata Ait.

Euphorbia pulcherrima Willd. Euphorbia sp.

Hevea cf.brasiliensis M. Arg. Julocroton fuscescens Saill. Julocroton sp.

Macaranga grandifolia (Blanco) Merril Manihot esculenta Crantz. Manihotsp.

Pachystroma longifolium (Ness) I.M.Johnston Pachystroma silicifolium Muell. Arg.

Pera glabrata (Schott.) Baill,

Pera obovata Saill.

Pera sp.

Phyllanthus niruri L.

Ricinus communis L.

Sapium glandulatum (Vell.) Pax Sebastiania edwalliana Pax & K.Hoffm. Sebastiania cf. serrulata (Mart.) M.Arg. Sebastiania sp.

Família FAGACEAE

Castanea sativa Mill. Gard.

Família FLACOURTIACEAE

Casearia obliqua Spreng. Casearia sylvestris Sw. Casearia sp. Hydnocarpus pentandra

Família GESNERIACEAE

Episcia cupreata Hanst

Kohleria amabilis Fritsch. Rechsteneria cf. macropoda Seemania sp.

Família GRAMINAE

Melinis minutiflora Beauv. Oryza sp.

Panicum sp.

Paspalum sp.

Rhynchelytrum repens (Willd.) Hubbart Setaria sp.

Zea mays L.

Família GUTTIFERAE

Clusia criuva Camb. Clusia sp.

Família HYPOXIDACEAE Hypoxis decumbens L.

Família IRIDACEAE

Gladiolus cf. hortulanus Bail. lris japonica Thunb.

Iris sp.

Watsonia angusta Ker.

Família LABIATAE

Ajuga reptans varo purpurea L. Hyptis sp.

Iboza riparia (Hochst.) N.E.Br. Leonurus cardiaca L. Leonorus sibiricus L.

Melissa officinalis L.

Mentha arvensis L. varo piperascens Malinv.

Mentha gentilis L.

Mentha pulegium L.

Mentha sp.

Ocimum basilicum L. Ocimum canum Aims Ocimum seI/oi Benth. Ocimum sp.

Origanum vulgare L. Peltodon radicans Pohl. Rosmarinus officinalis L.

Salvia guaranitica St.Hill. Salvia sp/endes Ness Salvia sp.

Thymis vu/garis L.

Família LAURACEAE

Endlícheria panicu/ata (Spreng.) Macbride Endlícheria sp.

Nectandra rigida Ness

Nectandra sp.

Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer Ocotea te/eiandra Mez

Ocotea sp.

Persea americana Mill.

Família LECYTHIDACEAE

Lecythis sp.

Família LEGUMINOSAE – CAESALPINOIDEAE Bauhinia cupu/ata Benth.

Bauhinia variegata L.

Brownea sp.

Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul. Caesa/pinia pe/tophoroides Benth. Cassia fistu/a L.

Cassia /eptophy/la Vogo Ceratonia siliqua L. Copaifera /angsdorlfii Desf. Oe/onix regia Raf. Hotocelvx ba/ansae Mich. Hymenaea courbaril L.

Pe/tophorum dubinum (Spreng.) Taub. Pterogyne nitens Tul.

Scrüzolobium parahyba (Vell.) Blake Scterotobtum denudatum Vogo Senna a/ata (L.) Roxb

Senna bicapsu/aris (L.) Roxb.

Senna macranthera (Collad.) Irwin et Barn. Senna mu/tijuga (Rich.) Irwin et Barn. Senna sp/endida (Vog.) Irwin et Barn. Zo/lernia cf. ilicifolia Vogo

Família LEGUMINOSAE – MIMOSOIDEAE

Acacia mearnsii De Wild. Acacia poda/yriaefolía A.Cunn. Acacia p/umosa Lowe

Acacia sp.

Anadenanthera co/ubrina (Vell.) Brenan Anadenanthera pavonia L. Adenanthera cf. peregrina (L.) Speg. Callíandra purpurea Benth.

Callíandra seI/oi (Spreng.) Macbride Callíandra tweedií Benth.

/nga edulís Mart.

/nga sessílís Mart.

/nga cf. uruguensis Hook. et Arn. /nga sp.

Mimosa bimucronata (D.C.) O. Kuntze Mimosa sp.

Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. Pitnecotooium insorium Benth.

Família LEGUMINOSAE – PAPILlONOIDEAE Cajanus cajan (L.) Millsp.

Camptosema grandíflorum Benth.

Canavalía sp.

Cictolooium b/anchetianum Tul. Cictolooium clausenií Benth. Cictotooium sp.

Clítoria fairchíldiana Howard. Crota/aria micans Link

Crota/aria mucronata Desv. Crota/aría paulína Scrank

Da/bergia brasíliensis Vogo Desmodium adscendens (Sw.) D.C. Desmodium cf. barbatum (L.) Benth.

Desmodium sp.

Erytrina crístagal/i L.

Erytrina fa/cata Benth.

Erytrina speciosa Andr.

Erytrina sp.

/ndigofera campestris Bong. ex Benth. Machaerium acu/eatum Raddi Machaerium nictitans (Vell.) Benth. Machaerium sp.

Medicago /upu/ina L.

Medicago sp.

Myrocarpus frondosus Fr. Aliem. Myroxy/on peruiferum L.t.

Pisum sp.

P/atymiscium fforibundum Vogo Poeci/anthe parvíflora Benth. Rhynchosia oneseotoioe: D.C. Sesbania exaspera ta H.B.K.

Sesbania marginata Benth. Sparticum junceum L.

Tipuana speciosa Benth. Tipuana tipu (Benth.) O.Kuntze Ttitolium repens L.

Família LENTIBULARIACEAE

Utricularia pallens St.Hil. Família L1L1ACEAE

Asparagus sprengeri Regei Asparagus sp. Chlorophytum sp. Hemerocallis fiava L.

Nothoscordum fragrans (Vent.) Kunth. Ophiopogon sp.

Família LOGANIACEAE Buddleia madagascariensis Lam.

Família LORANTHACEAE

Eubrachion cf. ambiguum Engl. Phoradendron cf. rubrum (L.) Gris. Psittacanthus sp.

Struthanthus vulgaris Mart. Struthanthus sp.

Família LYCOPODIACEAE

Lycopodium cernuum L.

Família LYTHRACEAE

Cuphea mesostemos Koehne Cuphea sp.

Lafoensia g/yotocarpa Koehne Lafoensia cf. pacari St.Hill. Lafoensia rep/icata Pohl Lafoensia sp.

Lagerstroemia indica L. Lagerstroemia cf. speciosa Pers.

Família MAGNOLlACEAE

Liriodendron tu/ipifera L.

Ta/auma ovata St.Hill.

Família MALPIGHIACEAE

Banisteriopsis adenopoda (Adr. Jus.) B.Gates Bunchosia sp.

Dice/la sp.

Peixotoa sp.

Stigmatophy/lon sp.

Família MALVACEAE

Abutilon venosum Walp. Hibiscus acetose/la Welw. Hibiscus ca/ycinus Willd. Hibiscuis mutabi/is L.

Hibiscus cf. pernambucensis Arruda Hibiscus rosa-sinensis L.

Hibiscus cf. schyzopeta/us Hook.

Hibiscus cf. schyzopeta/us x rosa-sinensis Hibiscus tiliaceus L.

Hibiscus sp.

Ma/va sy/vestris L.

Ma/vaviscus arboreus Cavo

Ma/vaviscus sp.

Sida carpinifo/ia L.f.

Sida pannicu/ata L.

Sida rhombifo/ia L.

Sida sp.

Família MARANTACEAE

Ca/athea cf. aemu/a Koern. Ca/athea micans Koern. Ca/athea cf. ornata Koern. Ca/athea cf. veitchiana Hook. Ca/athea sp.

Maranta bicotor Ker

Maranta /euconeura Morr. var massangeana Schum.

Maranta sp.

Família MELASTOMATACEAE

Leandra scabra DC. Leandra sp.

Miconia brunnea DC. Miconia cf. minutiflora DC. Miconia sp.

Tibouchina fothergillae Cogn.

Tibouchina granulosa Cogn. Tibouchina mutabilis (Vell.) Cogn. Tibouchina raddiana Cogn.

Tibouchina se/lowiana varo brevifolia Cogn. Tibouchina sp.

Família MELlACEAE

Aglaia odorata Lour. Cedrela fissilis Vell.

Guarea guidonia (L.) Sleumer Guarea macrophy/la Vahl

Guarea macrophy/la Vahl ssp. tuberculata (Vell.) Penn. Guarea sp.

Melia azedarach L. Trichilia hirta L.

Família MENISPERMACEAE

Cissampelos sp. Família MONIMIACEAE

Mollinedia sp. Família MORACEAE

Artocarpus heterophy/lus Lam. Brosimum sp.

Cecropia sp.

Chlorophora tinctoria Gaud. Ficus elastica Roxb.

Ficus cf. insipida Willd. Ficus luschnathiana Miq. Ficus Iyrata Warb.

Ficus microcarpa Vahl Ficus parceli Eitch.

Ficus pumila L.

Ficus pumila L. varo minima Hort. Ficus religiosa L.

Ficus roxburghii Wall.

Ficus sp.

Morus nigra L.

Morussp.

Sorocea bonplandii (Baill.) Burg, Lang & Boer Sorocea sp.

Família MUSACEAE

Musa cf eoeeinea Andr.

Família MYRSINACEAE

Myrsine umbe/lata Mart.

Rapanea ferruginea (Ruiz & Pav.) Mez Rapanea umbe/lata (Mart. ex A.OC.) Mez Rapanea sp.

Família MYRTACEAE

Callistemon sp.

Ca/yptranthus grandifo/ia Berg. Campomanesia eryso/phy/la (Berg.) NOZ. Campomanesia sp.

Euea/yptus fieifo/ia F. Muell

Euea/yptus robusta Smith

Euea/yptus sideroxy/um Cunn. Euea/yptus sp.

Eugenia brasiliensis Lam. Eugenia eerasiflora Miq Eugenia invo/uerata OC. Eugenia panieu/ata Banks Eugenia uniflora L. Eugenia uva/ha Camb. Eugenia spp.

Gomidesia affinis (Camb.) Legran Hexaeh/amys edulis (Berg.) Kaus. et Legran Me/a/euea /eueadendron L.

Myreia /aurotteana Camb.

Myreia linkiana OC.

Myrcia mu/tiflora (Lam.) OC. Myreia rufu/a Miq.

Myreia tomentosa (Aubl.) OC. Myrcia sp.

Paivaea sp.

Psidium guajava L.

Psidium guineense Sw. Syzygium euminii (L.) Skeels Syzygium jambos (L.) Alston

Família NYCTAGINACEAE

Bougainvillea g/abra Choisy Bougainvi/lea speetabilis Willd.

Guapira opposita (Vell.) Reitz varo opposita Mirabilis ja/apa L.

Neea sehwaekeana Heimerl

Família OCHNACEAE

Ochna multiflora DC.

Ouratea parviflora (DC.) Baill.

Ouratea semiserrata (Mart. & Nees) Engler Ouratea sp.

Família OLEACEA

Fraxinus americana L. Jasminum dichotomum Vahl Jasminum ofticinale L. Ligustrum lucidum Aiton Ligustrum japonicum Thunb. Ligustrum ovalifolium Hassk. Ligustrum sp.

Linociera arborea Eichl Osmanthus fragans Lour.

Trachelospermun jasminoides (Lindl.) Lem.

Família ONAGRACEAE

Ludwigia cf. laurotteana (Camb.) Hara Ludwigia cf. suffruticosa (L.) Hara

Família ORCHIDACEAE

Cranichis candida (B. Rodr.) Cogn. Oncidium crispum Lodd.

Oncidium longipes Lindley Pleurothallis cf. parva Rolfe Pleurothallis pedunculares Lde. Prescottia stachyodes (Sw.) Lindl. Tetragomestrus modestus Reichof. Vanilla adwallii Hoehne

Família OXALlDACEAE

Oxalis corniculata L. Oxalis oxyptera Mart.

Família PALMAE

Chamaerops humilis L.

Microcoelum weddellianum (H. Wend) He Moore

Pitychosperma maccarthuri .

Raphis excelsa Henry

Sabal palmetto Lodd

Família PANDANACEAE

Pandanus utilis Bory Família PAPAVERACEAE

Eschscholzia californica Cham.

Família PASSIFLORACEAE

Passiflora miersii Mast

Família PHYTOLACCACEAE

Petiveria alliacea L. Phytolacca dioica L. Phytolacca thyrsiflora Fenzz. Seguieria langsdorffii Miq.

Família PINACEAE

Pinus elliottii Engelm. Família PIPERACEAE

Peperomia catharinae Miguel Piper aduncum L.

Piper cernuum varo glabicaule Yuncker Piper cunninghamii Yuncker

Piper gaudichaudianum Kunt

Piper hispidinervum

Piper marginatum varo anisatum Piper mikanianum (Kunth) Steudel Piper solmsianum A. DC. Potomorphe sidaefolia Miq. Potomorphe umbellata (L.) Miq.

Família PITTOSPORACEAE

Pittosporum tobira Ait. varo variegatum Hort. Pittosporum undulatum Vent.

Família PLANTAGINACEAE

Plantago tomentosa Lam.

Família PLATANACEAE

Platanus acerifolia Willd.

Família PODOCARPACEAE

Podocarpus sellowii Klotch

Família PLUMBAGINACEA

Plumbago auriculata Thumb.

Família POLEMONIACEAE

Cobaea scandens Cavo

Família POLYGONACEAE

Homalocladium platycladum Bailey Polygonum acre H.B.K.

Polygonum capitatum Buch.Ham. ex D.Don Rumex obtusifolius L.

Triplaris brasiliana Chamo

Família POLYPODIACEAE Polypodium sp.

Família PONTEDERIACEAE

Pontederia lanceolata Nutt.

Família PORTULACACEAE

Portulaca oleracea L.

Família PRIMULACEAE

Anagallis arvensis L. Família PROTEACEAE

Grevillea banksii R. Br.

Família RHAMNACEAE

Colubrina glandulosa Perk. Hovenia dulcis Thumb.

Família ROSACEAE

Eriobotrya japonica lindl.

Pyracantha coccinea Roem. Pyracantha crenato-serrata Rehd. Pyracantha koidzumii (Hayata) Rehd.

Prunus persica Batsch.

Prunus sellowii Koehne

Prunus sp.

Raphiolepis indica Ldl.

Rubus brasiliensis Mart.

Rubus rosaefolius Smith.

Spiraea sp.Família RUBIACEAE Alibertia myrciifolia Spruce et Schum Borreria capitata (R.etP.) DC. Coccocypselum condalias Pers. Coffea arabica L.

Coffea liberica BulI. ex. Hiern. Diodia brasiliensis (Spreng.) K. Sch. Gardenia jasminoides Ellis

Genipa americana L.

Manettia gracilis Chamo et Schlecht. Manettia ignita Schum.

Palicourea marcgravii St. Hil. Posoqueria sp.

Psychotria sessilis (Vell.) M. Arg. Psychotria suterella Muell. Arg. Psychotria sp.

Richardia brasiliensis Gomez Rudgea jasminoides Muell. Arg.

Família RUTACEAE

Citrus cf. sinensis (L.) Obeck. Esenbeckia leiocarpa Engl. Dictyloma vandellianum Adr. Juss. Murraya paniculata (L.) Jacq.

Família SALlCACEAE

Salix babylonica L. Família SALVINIACEAE

Salvinia auriculata Aublet

Família SAPINDACEAE A/lophy/lus edulis (St. Hil.) Radlk. Cupania emarginata Camb. Cupania oblongifolia Mart. Cupania vernalis Camb. Dodonaea viscosa Jacq. Matayba guianensis Aubl. Paullinia caipopodea Camb.

Pinange sp.

Sapindus saponaria L.

Serjania communis Camb. Serjania lauruotteana Cabes sedes Serjania sp.

Família SAPOTACEAE

Chrysophylum gonocarpum (Mart. et Eichl.) Engl. Pouteria glomerata

Pouteria laurífolia (Gomes) Radlk.Família SCHIZAEACEAE Anemía sp.

Família SCROPHULARIACEAE

Bacopa sp.

Buchnera ternífolía H.B.K. Mazus japonicus Stemodia verticillata Paulowía kawakamíí T.lto Família SMILACACEAE

Smilaxsp.

Família SOLANACEAE

Acnístus brevíflorus Sendt. Athenaea pícta Sendt.

Brugmansía suaveolens (H. et B. ex Willd) Becht et Pre Brunfelsia uniflora (Pohl) D.Don

Capsícum flexuosum Sendt.

Capsicum mírabíle Mart. ex Sendt.

Capsícum vil/os um Sendt.

Cestrum corímbosum Sch.

Cestrum schlechtendaíí D. Don

Cestrum sendtneríanum Mart.

Cyphomandra díploconos (Mart.) Sendt.

Cyphomandra sp.

Lycopersícum cf.esculentum Miller Markea longípes Sendt.

Nicotíana langsdorfíí Weinn. Nicotíana tabacum L.

Petunía hibrida

Physalis pubescens L.

Solanum aculeatissímum Jacq. Sola num amerícanum Mill. Solanum bullatum Vell.

Solanum cernum Vell.

Solanum concínnum Schott ex Sendt.

Solanum díflorum Vell.

Solanum erianthum D.Don Solanum excelsum St.Hill. ex Dun. Solanum inaequale Vell.

Solanum megalochiton Mart.

Sola num robustum Wendl. Solanum rufescens Sendt.

Sola num sisymbriifolium Lam.

Solanum swartzianum Roem. et Schult. Solanum variabile Mart.

Solanum sp.

Família STERCULlACEAE

Brachychiton sp.

Dombeya wallichii (Lindl.) Benth. Sterculia chicha St. Hill.ex Turpin Sterculia sp.

Família STRELlTZIACEAE Strelitzia nicolai Regei et Koen

Família TAXODIACEAE

Cunninghamia lanceolata (Lamb.) Hook. Cryptomeria japonica Don

Família THEACEAE

Laplacea semiserrata (Mart. & Zucc.) Camb. Thea japonica (L.)

Thea sinensis L.

Família TILlACEAE

Corchorus hirtus L.

Luehea grandíflora Mart. et Zucc. Luehea paniculata Mart. Triumpheta semitriloba Jacq.

Família TROPAEOLACEAE

Tropaeolum majus L. Família ULMACEAE

Trema micrantha (L.) Blume Família UMBELLlFERAE

Apium leptophy/lum (Pers.) Muell. Coriandrum sativum L. Foeniculum vulgare Mill. Pimpine/la anisum L.

Família URTICACEAE

Bohemeria caudata Sw. Pilea microphy/la Liebm. Pilea cadierei

Família VALERIANACEAE

Valeriana scandens L.

Família VERBENACEAE

Aegiphila sp.

Aloysia virgata (Ruiz et Pavon) A.L.Juss. Citharexy/lum myrianthum Chamo Clerodendron thonsonae Balf. Duranta.cf. repens L.

Lantana camara L.

Lantana lilacina Desf.

Lantana sp.

Lippia alba Gardn.

Petrea volubilis Jacq. Stachytarphetta polyura Vahl.

Stachytarphetta cayennensis (L.C.Rich.) Vahl. Verbena litorallis H.B.K.

Vitex polygama Chamo

Vitex sp.

Família VIOLACEAE

Viola tricolor L.

Família VOCHYSIACEAE

Vochysia magnífica Warm. Vochysia tucanorum Mart.

Família ZINGIBERACEAE

Alpinia speciosa (Wendl) Schum. Hedychium coronarium Koening.

Cabe ressaltar que as coletas foram concentradas em algu­mas áreas da cidade (principalmente parques municipais) e a quantidade amostrada é relativamente pequena, não sendo o acervo representativo, ainda, da diversidade florística do muni­cípio.

Conclusões

Contando com cerca de 2000 amostras, o Herbário Municipal ainda é um acervo incipiente, mas já se constitui em importante instrumento de trabalho, por possibilitar comparações e fornecer informações sobre as espécies com maior representatividade na flora do município.

Para dar continuidade aos trabalhos, ampliando sua abrangência, os seguintes aspectos devem ser considerados:

_ repasse das técnicas de coleta e herborização, bem como divulgação da importância desta documentação, para o maior número de profissionais que atuam na área ambiental, visando ampliar a área de ação das coletas e o número de usuários do Herbário Municipal e do Banco de Dados sobre Plantas.

_ intensificação dos trabalhos de levantamento f1orístico nas matas remanescentes da Zona Leste (por exemplo:. APA do Carmo e Cidade Tiradentes) e da Zona Rural Sul.

_ transferência do Herbário Municipal para local com melhor infra-estrutura, existindo proposta de instalação no Parque Ibirapuera.

_ Informatização das fichas do “Banco de Dados sobre Plantas Nativas e Cultivadas”que poderão fornecer aos interes­sados as características da espécie pesquisada ou uma listagem de espécies cujas características biológicas satisfaçam a condições previamente estipuladas.

Referências Bibliográficas

FUKUSIMA-HEIN, Y.K.; GARCIA, R.J.F.; PANTEN, E.; TAKAHASHI,C.Y.; SANFILLlPPO, L.H .. Recomposição da vegetação em área degradada. Rev. Inst. Flor. 4(ptA – Ed. especial):1050-53,1992.

MORAIS, A.A.; D. DEL PICCHIA,EC.; HONDA, S.; MIRANDA, A. ..

Proposta de diretrizes para incremento da diversidade arbórea no Parque da Aclimação (São Paulo-SP)- fase I. Rev.lnst. Flor., 4(pt. 3 – Ed. especial):956-63,1992.

PIRANI, J.R. & CORTOPASSI-LAURINO, M. (Coord.). Flores e abe­lhas em São Paulo. São Paulo, Edusp/Fcpesp, 1993.

POMPÉIA, S.L.; HONDA, S.; GARCIA, R.J.F.; ROSSI,L.; BITIAR, M.; BUSKO, c.A.. Criação do Banco de Dados sobre plantas nativas e cultivadas. Ciência e Cultura, 39(7):593-97, 1987.

PREFEITURA DO MUNiCíPIO DE SÃO PAULO & C.PH.N .. Série Conheça o Verde, 15VoI, São Paulo, 1985/88.

 

Fonte: A Questão Ambiental Urbana : Cidade de São Paulo / Prefeitura do Município de São Paulo , Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – São Paulo : A Secretaria, 1993.

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Produção de Espécies Nativas para Arborização Urbana – SVMA

quarta-feira, agosto 31st, 2011

Ana Maria Brischi Darcio Barbieri Claudio Palaria Hiroe Ogata Linda Lacerda da Silva Marcos Garcia Ortega Orlando Veneroso FilhoPaulo Forghieri Yone Kiyoko Fukusima Hein Estag. Cinthia Petrólio Estag. Daniela Chaves G. E. Silva

Introdução

Histórico, justificativa e objetivos

No primeiro quartel do século XX, São Paulo era uma cidade extremamente bem cuidada e bem arborizada com um conjunto impressionante de parques, praças e jardins. Entretanto, o crescimento da cidade se deu com o sacrifício de seu passado, e este conjunto bem articulado foi desfigurado. Com o alargamento de vias, a arborização foi retirada, e já nos anos 30, parques como o do Anhangabaú sucumbiram ao automóvel, e na década de 50, o parque Dom Pedro 11 (Goya, 8). A introdução de espécies nativas como sibipirunas, paus-ferros, jacarandás paulistas, os ipês, as cássias, quaresmeiras, manacás-da-serra, jerivás, araucárias, cedros, açoita-cavalos, canafístulas, possua rés, mulungus, araribás, angicos, canelas e jatobás na arborização urbana, datam do final do século XX. Todavia, as exigências da arboriza­çõo viária e a necessidade de espécies resistentes, motivaram a introdução de espécies de outras regiões do Brasil e do mundo, para o plantio em calçadas e canteiros, com boas qualidades de porte e de floração: tipuanas, alecrins-de-campinas, unhas-de­vaca, resedás, espatódeas, alfeneiros, magnólias e jacarandás mimosos (Goya,8; Almeida,’).

No entanto, hoje verificamos que muitas dessas espécies mostram-se totalmente inadequadas, para esta finalidade, por apresentarem uma série de problemas tanto para o morador como para a prefeitura. Dentre estes problemas podemos citar como principais: danos aos pisos do passeio, exigência de podas constantes e quebra de ramos, que quando combinados às ca­racterísticas da própria rua podem ser manifestados de forma mais aguçada. Com base nestes, aliados auma maior conscienti­zação da humanidade quanto a questões de meio-ambiente e qualidade de vida, existe uma grande campanha em prol da recuperação ambiental e da conservação de recursos naturais. Assim, visando ao enriquecimento da diversidade de espécies usadas na arborização urbana, programas de plantio de árvores da nossa flora vêm sendo realizados nas pequenas e grandes cidades.

Dentro deste contexto, o DEPAVE-2 – Divisão Técnica de Produção e Execução vem pesquisando, cadastrando árvores porta-sementes e produzindo mudas, visando a aumentar a diver­sidade, produtividade e melhoramento da qualidade das mudas destinadas à arborização de ruas, praças, parques e áreas degradadas. Para tanto, este trabalho tem por objetivo apresentar as fases desse projeto, bem como alguns resultados preliminares das diversas fases da produção de mudas.

Revisão de Literatura

Escolha das espécies

Foram pesquisadas em literatura indicações de especies já consagradas em arborização urbana, embora pouco utilizadas na cidade de São Paulo, bem como espécies interessantes do ponto de vista ornamental, possuidoras de sistema radicular profundo e porte adequado para calçadas ou produtoras de frutos atrativos à avifauna. No último caso, para serem plantadas principalmente em praças e parques.

Tratamentos pré-germinativos

Os tratamentos pré-germinativos utilizados em sementes flo­restais têm como objetivos:

a) Acelerar o processo germinativo para sementes não dor­mentes e;

b) Superar algum problema que esteja impedindo o processo germinativo em sementes dormentes.

No primeiro caso, isto é, para sementes não dormentes, os tratamentos são: embebição, temperaturas ótimas para germi­nação, concentrações de oxigênio mais altas que a atmosférica, variações de luz, substratos e combinações destes tratamentos.

No segundo caso, os tratamentos pré-germinativos mais comuns para superar dormência de sementes da maioria das espé­cies de árvores brasileiras, as quais apresentam tegumento imper­meável, são:

a) escarificação física (imersão em água quente, escarificação em arame quente);

b) escarificação química (tratamento com ácido sulfúrico) e;

c)escarificação mecâ n ica. (Bia nchetti ,3 ; Bon ner,4 e Popinigis,12).

Substratos

Segundo Gonçalves (7), para a escolha de um material a ser usado como substrato, as seguintes características devem ser observadas:

a) Ser disponível em grandes quantidades e a baixíssimo custo;

b) Porosidade para suprir o oxigênio para as raízes e remover o gás carbônico para o meio;

c) Boa capacidade de retenção de água e simultaneamente boa copocidcde de drenagem;

d) Capacidade de troca de cátions para minimizar a lixi­viação dos nutrientes do meio;

e) Ter valores de pH próximo da neutralidade, tolerando-se contra acidez ou alcalinidade.

É difícil encontrar-se um material que, sozinho, atenda a todas estas exigências. Por esta razão, são incorporados ao substrato materiais melhoradores de suas características físicas e/ou quími­cas, que são os condicionadores. Entre os materiais usados para este fim, citam-se: areia, vermiculita, serragem, casca de árvore, casca de arroz, serrapilheira e composto orgânico.

O composto do lixo domiciliar urbano, oriundo da com­postagem dos resíduos domésticos recolhidos e tratados pelo município, tem sido estudado como um eventual componente de substrato para a produção de mudas. Entre suas limitações mais graves, citam-se: alto valor de pH, elevados teores em sais solúveis e presença de metais pesados. (Benton,2 e Kampf,10).

Materiais e Método

O trabalho de produção das mudas consiste, de modo geral, das seguintes etapas, enumeradas a seguir:

Escolha das espécies a serem produzidas

As espécies apresentadas neste trabalho foram escolhidas pelos critérios abaixo:

a) Existentes nos parques municipais e outras áreas públicas da cidade de São Paulo, e também oriundas de municípios vizi­nhos;

b) Espécies que, segundo a literatura, apresentam resistência a organismos xilófagos e a outras pragas e doenças;

c) Espécies atrativas a pássaros e outros animais silvestres. Informações sobre sistema radicular, tolerância à poda e ao transplante, etc., foram levantadas mas não tiveram caráter elimi­natório na escolha das espécies. Uma vez definidas, estas foram agrupadas, segundo a altura máxima alcançada na idade adulta, em espécies de pequeno porte (altura de no máximo 6m), médio porte (de 6 a 10m) e grande porte (acima de 10m).

Cadastramento de matrizes

Com base na lista de espécies escolhidas realizam-se vistorias em área verdes de São Paulo e alguns municípios vizinhos, proce­dendo-se à identificação botânica das árvores.

A escolha das matrizes é feita em função dos seguintes critérios:

a) Fitossanidade;

b) Produtividade e qualidade das sementes;

c)Existência de mais de um indivíduo da mesma espécie na mesma área.

Uma vez eleita como matriz, a árvore é cadastrada e passa a receber atenção especial dos Biólogos, Engenheiros Agrônomos e Administradores de Parques da Prefeitura, quanto aos aspectos nutricionais, fitossanitários e fenológicos. Quanto a esse último aspecto, estão sendo elaborados e distribuídos calendários de cole­ta para os diferentes Parques, que servirão de subsídio para o Administrador observar e nos informar sobre a época adequada de coleta.

Coleta e beneficiamento de material vegetal

Com base nos calendários e observação, são realizadas cole­tas periódicas de sementes das várias espécies, com uso de tesoura-de-alto-poda, tesoura de poda e através de catação de frutos e sementes sob a projeção da copa das árvores-matrizes.

O beneficiamento de sementes é feito conforme as seguintes técnicas:

Frutos carnosos

a) Maceração, lavagem em água corrente e secagem à sombra.

b) Despolpamento, lavagem em água corrente e secagem à sombra.

c) Abertura mecânica forçada, maceração, lavagem em água corrente e secagem à sombra.

Frutos deiscentes

Secagem à meia-sombra até a abertura natural.

Frutos secos e i ndeiscentes

a) Secagem à meia-sombra e abertura mecânica forçada.

b) Secagem à meia-sombra, limpeza e corte das asas.

Experimentação e desenvolvimento

Com o intuito de ganhar tempo no processo de produção e uniformizar a germinação das sementes são testados tratamentos estabelecidos na literatura, principalmente, escarificação mecânica, química ou física e pré embebição, apropriados para cada caso.

Com os objetivos de conhecer os substratos mais disponíveis, bem como, sua influência na germinação, crescimento e desen­volvimento das plântulas de Cassia speciosa, foi montado um experimento-piloto na estufa de no 2 do Viveiro Manequinho Lopes 1 – Parque do Ibirapuera, testando-se como condicionadores: a areia, a serragem, o composto do lixo domiciliar urbano da Usina de São Mateus – SP e na qualidade de substrato principal, terra oriunda do Viveiro de Cotia2. Os recipientes utilizados foram tubetes de plástico rígido, capacidade de 100 ml com altura de 15 cm e diâmetro interno de 4 cm.

A desinfestação dos substratos foi feita utilizando-se Benomyl à razão de 0,7 g/I, distribuindo-se um regador de 9 litros em 2 m2 de canteiro. (Simões et ai, 13).

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com três repetições e os tratamentos como se seguem:

Tratamento 1: 100% de composto orgânico.

Tratamento 2: 70% de composto orgânico + 30% de serragem.

Tratamento 3: 50% composto orgânico + 50% de serragem. Tratamento 4: 30% composto orgânico + 70% de serragem. Tratamento 5: 100% serragem.

Tratamento 6: 100% terra do Viveiro de Cotia.

Tratamento 7: 70% terra do Viveiro de Cotia + 30% ser­ragem.

Tratamento 8: 50% terra do Viveiro de Cotia + 50% ser­ragem.

Tratamento 9: 30% terra do Viveiro de Cotia + 70% serragem.

Tratamento 10: 70% composto orgânico + 30% areia. Tratamento 11: 50% composto orgânico + 50% areia. Tratamento 12: 30% composto orgânico + 70% areia. Tratamento 13: 100% areia.

A quebra de dormência das sementes de Cassia speciosa foi feita por escarificação física através de imersão em água quente (96 OC), durante 4 minutos, seguida de choque térmico sob água corrente.

Como o experimento piloto ainda está em andamento o parâmetro analisado até o momento foi a porcentagem de germi­nação aos 10, 20 e 30 dias após a semeadura. Os outros parâmetros a serem analisados serão: altura das plântulas, diâmetro à altura do coleto, peso seco, sobrevivência, qualidade do sistema radicular, sua agregação ao substrato e facilidade de retirada das mudas do tubete.

Banco de Dados

Baseando-se em observações experimentais e em pesquisas bibliográficas, foram criados vários arquivos de banco de dados.

Estes nos dão suporte na fase inicial da produção, pois nos fornecem informações sobre fenologia, relação número de sementes/kg, viabilidade, taxa e o tempo médio de germinação das sementes de cada espécie arbórea de interesse, época e número de estufins vagos, etc.

Cruzando-se tais dados é possível elaborarmos um plano de semeadura para a obtenção do número de mudas/espécie deseja­da.

Além destes, existe um programa de banco de dados que controla o estoque da produção nos informando, inclusive, sobre o destino das mudas.

Conclusões

Considerando as condições em que os experimentos foram conduzidos e os resultados obtidos, conclui-se que:

- Deve-se aumentar a produção de mudas de espécies de pequeno porte tanto por sementes quanto por propagação vegeta­tiva.

- Deve-se continuar a revisão bibliográfica aprofundada sobre os processos de produção de mudas de espécies nativas.

- No que diz respeito à porcentagem de germinação, a areia e a serragem isoladamente ou em combinaçao com o composto orgânico e a terra do Viveiro de Cotia, são bons condicionadores.

- O composto orgânico de lixo domiciliar urbano, isoladamente, não favoreceu a germinação de sementes de Cassia speciosa.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, M.das G.F.de São Paulo – Sítio Urbano. Departamento de Parques eÁreos Verdes. 1992. [Texto didático para o 20 Curso de Areas Verdes da cidade de São Paulo- 1992 ­Mimeografado].

BENTON, S.R. Fertilizantes e Poluição. In:Reunião Brasileira de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, XX, Piracicaba, Sp, 1992. Anais. Campinas, Ed. Fundação Cargill, 1992. p. 299 – 313.

BIANCHETII, A. Tratamentos pré-germinativos para sementes flo­restais. In:Simpósio brasileiro sobre tecnologia de sementes florestais, 20, Atibaia, Sp, 1989. Anais. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado, 1991. p. 237-46.

BONNER, F.T. Tropical Forest Seeds: Biology, Quality and Technology. In:Simpósio brasileiro sobre tecnologia de sementes florestais, 20, Atibaia, Sp, 1989.Anais. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado, 1991. p.263-74.

CAPELLANES, 1M.C. & BIELLA, L.c. Programa de produção e tec­nologia de sementes de espécies florestais desenvolvido pela Companhia Energética de São Paulo. In:Simpósio brasileiro sobre tecnologia de sementes florestais, lo, Belo Horizonte, 1984. Anais. ABRATESjIEF. p.85 – 107.

DEMATI , M.E.S.P Morphological characterization of Cassia spp.

Científica, 12 (1/2): 125 – 130, 1986.

GONÇALVES, A.L. Características de substratos. In:Simpósio brasileiro de floricultura e plantas ornamentais – Manual de Floricultura, I, Maringá, 1992. Anais. Maringá, Gráfica Municipal, 1992. pA4-52.

GOYA, C.R. Relato histórico da arborização na cidade de São Paulo. In:Congresso brasileiro sobre arborização urbana, lo, Vitória, 1992. Anais. v.1I Vitória, 1992. pA03-8.

GRUS, V.M. et aI. Germinação de sementes de pau-ferro e cássia javanesa submetidas a tratamentos para quebra de dor­mência. Revista brasileira de sementes, 6(2):29-35, 1984.

KAMPF, A.N. Substratos para floricultura. In:Simpósio Brasileiro de Floricultura e Plantas Ornamentais – Manual de Floricultura, I, Maringá, 1992. Anais. Maringá, Gráfica Municipal, 1992. p.36-43.

NOBREGA, L.H.P et aI. Métodos para a quebra de dormência de sementes de Cassia grandis. In:Congresso brasileiro de sementes, 7, Campo Grande, ABRATES, 1991. p.83.

POP!NIGIS, F. Fisiologia da semente. Brasília, AGIPLAN, 1977. SIMOES, J.W.et aI. Formação, manejo e exploração de florestas com espécies de rápido crescimento. IBDF. [Mimeografado].

 

Fonte: A Questão Ambiental Urbana : Cidade de São Paulo / Prefeitura do Município de São Paulo , Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – São Paulo : A Secretaria, 1993.

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Sub-Bacia do Córrego São José – Situação e Proposta para Arborização e Areas Verdes – SVMA

quarta-feira, agosto 31st, 2011

Eng. Agr. Luiz Roberto de Campos Jacintho Eng. Agr .. Maria Lucia Ramos Bellenzani

Introdução

O conceito de Bacias Hidrográficas vem sendo muito utilizado no gerenciamento de recursos hídricos, a medida que se observa uma íntima relação entre os ecossistemas terrestres e os ecos­sistemas aquáticos continentais.

No caso de regiões urbanizadas essa relação se torna mais evidente, pois o uso intensivo (e muitas vezes inadequado) do solo tem determinado a completa degradação dos cursos d’agua.

Nesse contexto, o planejamento e implantação do sistema de áreas verdes urbanas (reservadas para áreas verdes num total de 15% de cada loteamento aprovado, segundo a Lei 9413 , de 30 de dezembro de 1981, que regulamenta o parcelamento do solo), ganham destaque enquanto medidas de proteção do solo e da água, sobretudo quando se constata uma intensa invasão das citadas áreas que, não estando devidamente equipadas para o desempenho de suas funções, se transformam em favelas.

Na sub – bacia do córrego São José, um dos tributários do reservatório de Guarapiranga (que contribui com aproximada­mente 20% da água potável utilizada pela população paulistana), ocorre um exemplo de ocupação inadequada, onde o investimento em áreas verdes poderia ter evitado as conseqüências que por hora se manifestam.

Pretende-se portanto, com este trabalho, avaliar a atual situa­ção das áreas municipais existentes na sub – bacia, ressaltar a importância dos parques e jardins na proteção de mananciais e propor intervenções relativas à arborização e ao paisagismo, que venham de encontro com as propostas de saneamento da Bacia do Guarapiranga e que possam ser implementadas efetivamente.

Áreas Verdes e Qualidades das Águas

O espaço aberto, situado dentro ou nas proximidades de uma cidade pode, segundo Clawson(1973), proporcionar: proteção a valores importantes como a recarga de água subterrânea, pre­venção contra os perigos das inundações em áreas susceptíveis, preservação de áreas únicas por suas características, etc.

É notória, no entanto, a importância da cobertura vegetal na proteção dos recursos hídricos, do ponto de vista qualitativo e quantitativo. Para HENGEVELD & VOCHT (1978) a água escoada superficialmente em zonas urbanas pode conter uma grande va­riedade de poluentes, incluindo resíduos orgânicos, nutrientes, sóli­dos em suspensão e metais pesados.

Segundo BRANCO (1973), o transporte de materiais deposita­dos sobre a superfície do solo, através desse escoamento superfi­cial, figura entre as principais causas de degradação dos manan­ciais . Ele considera, contudo, que a vegetação é o principal miti­gador desse tronsporte, e cita os seguintes fatores:

- Constituição de barreiras físicas;

- Redução da velocidade de escoamento da água;

_ Presença de sistema radicular, que confere maior solidez à estrutura do solo, além de aumentar sua porosidade e permeabili­dade;

- Redução do impacto das gotas de chuva pela presença de cobertura foliar e

_ Redução do volume de água drenado na bacia em conse­qüência dos processos de evapotranspiração.

“Em uma bacia ocupada inicialmente por vegetação natural, grande parte dos volumes precipitados é retida nas folhas e tron­cos e o escoamento superficial é dificultado por obstáculos natu­rais, provocando maior infiltração e retardando sua chegada ao curso d’agua. Se a área for desprovida de cobertura vegetal, a superfície nua do solo não oferece resistência ao escoamento, que atingirá os pontos baixos mais rapidamente e em maior volume. Estes efeitos serão mais acentuados ainda se a superfície do solo for total ou parcialmente impermeabilizada, como na área urbana” (SANTOS,1973).

Este autor lembra ainda que tais efeitos fazem-se sentir nos aumentos da vazão máxima e do volume total escoado assim como na diminuição do tempo de concentração da bacia, su­gerindo que os mesmos podem ser amenizados através da manutenção de áreas permeáveis, como matas, jardins e pastos, por exemplo.

A drenagem das águas pluviais deve, segundo SEWEL (1978), ser incorporada ao planejamento das áreas verdes pois, a medida que os rios e córregos vão sendo canalizados, eles desaparecem da paisagem urbana, resultando em perda de variação na pai­sagem das planícies asfálticas.

Assim, a adoção de planos de uso do solo, por sub-bacias, que recomendem a proteção dos vales de inundação e das cabe­ceiras de drenagem contra o desenvolvimento incompatível e esta­beleçam regulamentos específicos podem, se implementados, pre­venir riscos decorrentes de enchentes, proteger fatores importantes ligados a recursos naturais(incluindo a qualidade da água), além de satisfazer parcialmente a necessidade de parques e jardins de uma determinada região. A implementação de tais planos tem sido contudo, deficiente nos países em desenvolvimento, em parte por problemas técnico-científicos mas, principalmente por problemas de recursos e de organização.(Nações Unidas in: Hangeveld & Vocht, 1981)

A poluição dos mananciais e o agravamento das enchentes são algumas das conseqüências da urbanização descontrolada , onde a extinção da cobertura vegetal se combina com o crescimen­to da produção de esgotos, lixo e etc.

É imperativo, portanto, que a arborização e a implantação de áreas verdes não sejam esquecidas quando se pretende sanear uma determinada bacia hidrográfica que se encontre degradada pela ocupação inadequada do solo porque, além de fatores rela­cionados com a drenagem, existe a possibilidade de invasão das áreas reservadas para praças e jardins, normalmente localizadas junto aos corpos d’agua, o que agrava a situação.

Caracterização da Bacia

A Sub – Bacia do Córrego São José é uma das componentes da Bacia do Guarapiranga, localizada na zana sul do município de São Paulo. Ela conta com uma área de 275 ha onde existem 35.000 habitantes regularmente assentados e, segundo estimativas da Secretaria de Planejamento , mais 21.000 distribuídos em 12 favelas.

O adensamento de loteamentos populares na região decorreu da construção, na década de 60, do sistema de vias marginais do rio Pinheiros e da implantação do parque industrial de Santo

Amaro, localizado nas proximidades (COBRAPE,1991). Com a delimitação da Área de Proteção aos Mananciais, através da Lei Estadual 1772 r de 1976, o uso e a ocupação do solo da Bacia do Guarapiranga deveriam ser disciplinados, o que não foi totalmente possível pois parte da área já se encontrava preparada para a urbanização antes da promulgação desta lei.

Por tratar-se de terras com menor qualificação urbana, devido à precariedade dos sistemas públicos de água, esgotos, vias e transportes, essa área foi ocupada pela população de baixa renda (MOREIRA,1990). Além disso, observou-se na última década um aumento do número de favelas e loteamentos clandestinos, favore­cido pelas melhorias no sistema viário (COBRAPE,1991).

O que se verifica, todavia, é que a maior parte dessas favelas surgiram com a invasão dos lotes reservados para formação de áreas verdes. Segundo estimativas da SEMPLA, em 1987, cerca de 75% do total dos favelados de S. Paulo estavam assentados em ter­renos públicos sendo que, desse total, 90% dos terrenos provinham do estoque de áreas verdes doadas à Prefeitura no processo de abertura de loteamentos. Essas áreas estão quase que invariavel­mente localizadas nas situações mais impróprias para a ocupação: cabeceiras de drenagem, “sobras” de áreas de alta declividade e margens de córrego(junto aos quais a Lei de loteamento prevê uma faixa “non aedificandi”. (SENPLA,1992).

Segundo relatório do IPT, de 1984, foi o processo de cresci­mento desordenado da cidade de São Paulo, levado no sentido da maximização e privatização dos lucros r que resultou na invasão dessas áreas, gerando um grave problema sócio-ambiental.

Além das áreas verdes urbanizadas e das áreas públicas municipais desocupadas, restam 158.000 m2 de glebas particu­lares não edificadas, onde existe alguma cobertura vegetal, nor­malmente caracterizada por conjuntos de Eucaliptus sp e capoeiras. É relevante, também, a gleba de 120.000 m2 ocupada por uma instituição particular de ensino, localizada nas encostas limítrofes à linha de drenagem do córrego, que ostenta um plantio arbóreo de porte, entremeando os edifícios e as quadras espor­tivas.

Junto à desembocadura do córrego, há uma faixa de aproxi­madamente 500 m de largura, contígua ao reservatório de Guarapiranga, onde ocorre uma ocupação bastante homogênea: muitos clubes, pequenos arruamentos com características de bair­ro-jardim e glebas não ocupadas, de propriedade da Eletropaulo (SEMA/SEMPLA,1988).

Em termos de arborização, atualmente duas situações são encontradas na sub -bacia do São José:

A faixa adjacente à represa, que representa em torno de 10 % da área da sub-bacia, já se encontra bem arborizada. Esta arborização é antiga, e predominam Spatodea campanulata (espatódea), Caesalpinea peltophoroides (sibipiruna), Tibouchina granulosa (quaresmeira), além de alguns exemplares de Chorisia speciosa (paineira). O estado fitossanitário das árvores é bom, mas tem sido frequente a necessidade de poda ou remoção devi­do a interferências na fiação elétrica e danos nas calçadas, e ainda risco de queda (principalmente no caso de espatódeas e paineiras).

O restante da sub-bacia é carente em arborização. Esta área vem sendo arborizada de acordo com o plano e estratégia descritos neste trabalho. A grande maioria das ruas é pavimenta­da, e a largura da faixa asfaltada não ultrapassa 8 metros com calçadas quase que totalmente concretadas e com largura menor que 2,50 metros. O recuo das casas é pequeno ou inexistente. Algumas ruas, geralmente margeando áreas municipais já ocu­padas por favelas, possuem calçadas com largura menor que 0,70 m, ou mesmo não possuem calçadas, o que impossibilita a arborização.

A situação acima descrita reflete-se no avançado estado de degradação em que se encontra o córrego São José . De acordo cor:n COBRAPE (1991), o aumento significativo da população de baixa renda nas áreas lindeiras aos inúmeros contribuintes da represa de Guarapiranga acarretam uma profunda degradação dos corpos d’agua, incrementando a participação relativa dos pequenos tributários no carreamento de cargas poluentes àquele reservatório.

Em vista das condições existentes, propõe-se intervenções a nível de áreas verdes e arborização r que contribuam para a modi­ficação do atual quadro ambiental da sub-bacia.

Estratégia de Ação

Na implantação de projetos de arborização e tratamento de áreas verdes na região, a experiencia prática tem mostrado que a depredação é um dos principais fatores que condicionam seu sucesso. Estima-se, para a cidade de São Paulo, uma perda de cerca de 70 % das mudas plantadas. As experiências de arboriza­ção onde houve ativa participação da comunidade, por outro lado, tem atingido maior sucesso.

Por estar situada em área de proteção aos mananciais, na sub-bacia do São José a conscientização popular ganha ainda mais destaque. O conceito de mananciais e sua importância para a cidade vem ganhando espaço na opinião pública devido a ação de entidades ambientalistas e esse aumento de conscientização tem feito crescer, junto à prefeitura, os pedidos de arborização de ruas e tratamento paisagístico dos espaços ainda não ocupados.

Iniciativas como a arborização de um bairro, a execução de uma nova praça, podem portanto instrumentalizar a atividade de educação ambiental que acompanha o projeto de saneamento da bacia do Guarapiranga.

Paralelamente à elaboração do plano técnico, propõe-se um levantamento dos equipamentos existentes tais como escolas, cen­tros de juventude e associações de moradores onde seja possível a realização de eventos relacionados ao meio ambiente. Ao se pro­gramar a arborização de um bairro dentro da sub-bacia, seriam realizadas ações preparatórias como:

- Reuniões com associações de moradores, onde é exposto o plano geral e os critérios técnicos, discutidas sugestões, explicados os cuidados a serem tomados com a muda nova e distribuído material informativo. Estas reuniões pretendem não só informar a comunidade mas também colher subsídios para {a adequação final do plano às reivindicações dos moradores.

-Arborização de escolas, creches e centros comunitários, onde seriam desenvolvidas atividades didático pedagógicas relati­vas a educação ambiental, auxiliando de forma complementar os programas escolares. Além de melhorar o ambiente físico das escolas, objetiva-se, proporcionar condições para que as crianças desenvolvam hábitos conservacionistas, avaliem e interpretem os fatos ocorridos no meio ambiente, conscientizando-se da neces­sidade de preservá-lo.

- Oficinas artísticas abertas, com temas ecológicos, para crianças e adolescentes, realizadas por monitores da Secretaria Municipal de Cultura. Os trabalhos podem ser expostos no bairro.

Na sub-bacia do São José, dois bairros já foram arborizados adotando-se a estratégia proposta, com bons resultados. Nos locais onde a comunidade é mais mobilizada, foram realizados mutirões de arborízação, nos fins de semana. O plantio é feito pelos próprios moradores, em conjunto com funcionários da prefeitura. Estes mutirões têm tido boa participação e são oportu­nidades para a discussão e vivência prática da problemática do ambiente urbano.

o Plano Arborização

No planejamento da arborização, foi levantada a caracteriza­ção física de cada rua, para definição dos critérios que condi­cionam a escolha das espécies mais adequadas à região.

AMIR E MISGAV (1990) descrevem três tipos de critérios a serem considerados no planejamento da arborização urbana. O primeiro leva em conta o aspecto visual-espacial, definindo o tipo da árvores que melhor se adequa ao local em termos paisagísticos. O segundo considera as limitações físicas e biológicas que o local impõe ao crescimento das árvores. O terceiro critério , funcional, procura avaliar quais espécies seriam mais adequadas para me­lhorar o microclima e outras condições ambientais.

Na área em questão, limitações físicas e biológicas ao cresci­mento das árvores foram os critérios de maior peso, dada a carac­terização das ruas. Estes critérios são mandatórios , o que limitou a escolha das espécies.

De acordo com a largura das calçadas, foram definidas duas listas de árvores.

Para calçadas com largura variando entre 1,50 a 2,50 metros , propõe-se o plantio de Ligustrum lucidum (Iigustro), Caesalpinea peltophoroides (sibipiruna), Holocalix glaziowii (alecrim de cam­pinas) e Tabebuia Chrysotricha (ipê amarelo). Em situações espe­ciais, onde o recuo é maior, pode ser usada a grevílea (Grevilia robusta). ‘

Para calçados com largura menor que 1,50 m, propõe-se o plantio árvores tnenores como Largestroemia indica (resedá), 8auhinea sp (pata de vaca), Tibouchina granulosa (quaresmeira), Cassia fistula (cássia), Hibiscus rosasinensis (hibisco arbóreo) e Tibouchina mutabilis (manacá da serra).

Problemas decorrentes da interferência das árvores na rede elétrica são um dos principais entraves em arborização de vias públicas. Sob fiação, recomenda-se o plantio de arbustos e arvoretas (CESP, 1988). No caso da sub-bacia do São José, dada a pequena largura das ruas, optou-se por arborizar apenas o lado oposto à fiação.

Na definição dos locais de plantio, foram levados em conta ainda a sinalização de trânsito e a presença de encanamento sub­terrâneo . De maneira geral, o espaçamento entre as mudas gira em torno de 10 metros para as espécies maiores e 6 metros para as espécies menores.

As normas de plantio adotadas ( tamanho de covas, adubação, tutoramento e qualidade das mudas) são aquelas recomendadas pelo guia de arborização da CESP (1988), utilizado correntemente pela Prefeitura.

Para possibilitar a viabilização da estratégia proposta, optou­se pelo bairro como unidade de trabalho concentrado. Assim, ações complementares de educação ambientàl podem ser realizadas juntamente com a arborização.

Dois bairros, representando em torno de 30% da área bacia, foram arborizados recentemente, segundo o plano e estratégia aqui propostos. Nesta área foram plantadas 850 árvores, entre ligustrum, sibipiruna, resedá, bauhinea, cássia, grevílea, hibisco arbóreo e ipê.

Restam 5 bairros a serem arborizados, que representam aproximadamente 70 % da área. De acordo com vistorias feitas nestas ruas, programou-se o plantio de mais 2150 mudas.

Visa – se , com a implantação deste plano, um incremento de aproximadamente 3000 árvores na sub-bacia.

Por razões estéticas e também fitossanitárias , GREY & DENEKE (1978), recomendam que a proporcionalidade de uso de cada espécie fique entre 10 a 15% do valor total.

Observa-se que a porcentagem de ligustrum sobre o total de árvores projetadas aproxima -se dos 15%, não sendo mais indica­do o plantio da espécie na sub-bacia. Assim, as ruas onde a calça­da for mais larga serão arborizadas com sibipirunas, ipês, alecrim de campinas e grevíleas, esta última apenas onde o recuo das casas permitir.

Nas ruas onde o passeio for menor que 1,50 m serão planta­dos resedá, hibisco arbóreo, cássia r quaresmeira e manacá da serra. Estas três últimas são especialmente recomendadas, por serem nativas da mata atlântica, cobertura vegetal original da bacia. Sua utilização fica, no entanto, dependendo da obtenção de mudas em estágio adequado de desenvolvimento.

Toda a arborização recente vem sendo cadastrada, por rua e idade dos plantios. Pretende-se com este cadastramento possibilitar o monitoramento dos plantios, medindo-se efetivamente o grau de pegamento e a depredoçõo das mudas.

Para a área onde a arborização é antiga e já consolidada, pro­põe-se a avaliação qualitativa e quantitativa, compondo-se um qua­dro abrangente da arborização da sub-bacia. Todos esses dados, cadastrados e processados permitirão a avaliação do comportamen­to de cada espécie e a identificação de problemas, subsidiando o planejamento de programas de arborização para outras bacias.

Áreas Verdes

Em vista da situação deficitária da sub – bacia em termos de áreas verdes, é imperativo que se dê um tratamento imediato às áreas públicas ainda desocupadas. O ajardinamento dessas áreas afastaria o risco de invasão por favelas.

Dado o tamanho reduzido dessas áreas, é possível ajardiná­las a curto prazo, uma vez que o aspecto operacional é bastante simples.

Restam ainda desocupados apenas 12.653 m2, distribuídos entre encostas (9.594 m2), margem (1.059 m2) e mais 2.000 m2 localizados em “sobras” de áreas decorrentes da abertura de ruas.

Nas áreas de encosta, propõe-se o entaludamento do terreno e sua revegetação com forrações que dêem boa estabilidade ao solo.

Para a área livre que margeia o córrego propõe-se o plantio de árvores características de mata ciliar e frutíferas nativas como pitangueira (Eugenia uniflora), araçá (Psidium sp.) e amoreira (Morus nigra). Na porção inundável sugere-se o plantio de chorão (Salix babilonica) e melaleuca (Melaleuca leucodendrum).

Existe ainda uma área com 2.000 m2, onde a topografia é plana, com algumas árvores e um campo de futebol. Propõe-se a consolidação da área de lazer, com o plantio de grama no campo de futebol, a construção de um play ground e o plantio de mais árvores formando maciços.

Conclusão

A situação atual da sub-bacia pode ser considerada crítica e as possibilidades de reversão do quadro ambiental são limitadas. Muito poderia ter sido evitado, no entanto, se a legislação em vigor fosse acompanhada de investimentos do poder público no setor de áreas verdes e de habitação popular.

Com a implementação do plano aqui apresentado visa-se con­tribuir para a mitigação dos impactos decorrentes da urbanização desordenada, utilizando a arborização como instrumento de edu­cação ambiental e compensando, mesmo que minimamente, o dé­ficit de áreas verdes decorrente da ocupação irregular das mesmas.

Vale salientar ainda, que a situação observada na sub-bacia se estende por toda a área urbanizada da bacia do Guarapiranga e que às medidas referentes ao seu saneamento      (urbanização de favelas, coleta e tratamento de esgotos, etc) deve ser incorporado o plano de arborização e áreas verdes para que as mesmas sejam eficazmente consolidadas, evitando-se novas invasões e mitigando­se impactos decorrentes da massiva impermeabilização do solo.

Referências Bibliográficas

AMIR,S & MISGAV,A. A framework for street tree planing in urban areas in Israel. Landscape and Urban Planning Amsterdan, Elsevier, 1990, p. 203-21 2.

BIONDI ET ALLI. Plano de arborização para o bairro de Brasília Teimosa. Encontro Nacional Sobre Arborização Urbana. Anais. Curitiba,1990, p. 211-219.

BRANCO ,S. M. Faixa de segurança para proteção de mananciais.SABESp’São Paulo, 1973. 42 p.

CESP Guia de Arborização. São Paulo, 1988. 23p.

CLAWSON,M. EI espacio abierto (no cubierto) como nuevo recurso urbano.

COBRAPE. Programa de Saneamento Ambiental da Bacia do Guarapiranga. São Paulo, 1990. n.p.

GREY,G.W. & DENEKE, F.J. Urban Forestry. New York, John Wiley. 1978.279 p.

HENGEVELT & VOCHT. Role of water in urban ecology. 1982 Urban Ecology. Amsterdan, Elsevier, 1982, p.1-362.

IPT. Manual para recuperação de áreas degradadas. São Paulo, 1985.

PMSP/SEMPLA. São Paulo, Crise e Mudança. São Paulo, 1990 SEMA/SEMPLA. Vegetação Significativa do Município de São Paulo. São Paulo, 1990.

SEMPLA. Política ambiental e gestão da cidade.DOM,n 243, S Paulo, 24/12/92.

SANTOS,). Medidas não estruturais de controle a inundações.

Aguas e Energia Elétrica. São Paulo,1989. p.17-22.

SEWELL, G.H. Administração e Controle da Qualidade Ambiental.1978.

 

 

Fonte: A Questão Ambiental Urbana : Cidade de São Paulo / Prefeitura do Município de São Paulo , Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – São Paulo : A Secretaria, 1993.

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Arborização de Calçadas no Município de São Paulo – SVMA

quarta-feira, agosto 31st, 2011

Biol. Alzira M. da Rocha Cruz Eng. Agr. Eduardo Panten Eng. Agr. Nelma Lúcia H. Villela Arq. Paulo Celso D. Del Picchia Biol. Ricardo J. F. Garcia Biol. Sumiko Honda Arq. Vera Ilce Monteiro da Silva Cruz

Introdução

Este trabalho tem como ponto de partida o trabalho apresen­tado pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes da Prefeitura do Município de São Paulo (Alzira et ai., 1992) apresentado no I Congresso Brasileiro de Arborização Urbana, em Vitória – ES, em setembro de 1992.

Procura uma visão global da problemática da arborização de ruas numa metrópole como São Paulo, vendo o problema desde a produção adequada de mudas, procurando o incremento da biodi­versidade no meio urbano, levando em conta o sério problema das redes de distribuição de energia elétrica e das canalizações subter­râneas, estabelecendo normas para o projeto e normas específicas para a arborização de calçadas na cidade de São Paulo.

Preconiza um cadastro que servirá de elemento retroalimenta­dor e corretor das tarefas de arborização de ruas.

Foi feita uma revisão preliminar da legislação que trata da arborização de ruas em São Paulo, que evidenciou a necessidade de mudanças em leis para o estabelecimento do que aqui se propõe. Nos pareceu também que certos parâmetros deveriam ser estabelecidos através de decretos e portarias, o que permitiria a sua atualização com mais agilidade, fixando-se em lei somente as diretrizes mais estáveis, que independem da evolução de técnicas e processos, e que permita a atualização à medida que a experiência no assunto, através da retroalimentação prevista neste trabalho, o faculte.

A Arborização de Ruas, Um Processo Integrado

Importância da arborização de vias públicas

No planejamento da arborização de vias públicas temos que fazer, prioritariamente, uma idéia da Importância da Arborização Urbana, no que ela contribui para a melhoria da qualidade do ar, através da troca gasosa e pela retenção de partículas sólidas do ar; na criação de um microclima mais ameno; no amortecimento de ruí­dos criando anteparos e superfícies menos duras para a reflexão das ondas sonoras; na contribuição para a formação de cenários urbanos mais agradáveis; no aumento da diversidade biológica em meio urbano com a reintrodução de espécies nativas no ambiente construído; contribuição para a diminuição da velocidade de escoa­mento das águas pluviais, seja pela presença da folhagem nas copas, seja pelas áreas não impermeabilizadas ao pé da árvore.

Articulação e retroalimentação

A arborização de vias públicas só pode atingir a importância a que nos referimos no item anterior se conseguirmos ter uma visão articulada do problema, uma visão que condena o ime­diatismo.

Fatores que interferem na arborização de calçadas

Primeiramente temos os fatores que interferem na arborização de calçadas e que vão determinar a escolha das espécies arbóreas adequadas para o uso em ruas, espécies que deverão ter uma preparação adequada enquanto mudas. Temos que levar em conta as características físicas do local a ser arborizado como a largura das vias e calçadas; a presença de equipamentos públicos como a fiação elétrica, a iluminação pública, tubulações e instalações subter­râneas; tipo de tráfego, seja pedestre, seja de veículos; considerar o caráter de uso da via, se comercial, se residencial, se industrial.

Listagem das espécies recomendáveis

Tendo em vista esses fatores, que interferem na arborização de calçadas, é que se estabelece a Listagem das Espécies Recomendáveis, aonde serão assinalados os nomes científico e popular, a família, a origem, a floração, a frutificação, o porte, o tipo de copa e serão anotadas observações tais como hábitos de cresci­mento e comportamento no meio urbano.

Produção de mudas

Um dos problemas mais senos do imediatismo no processo de orborizcçõo de ruas é a produção de mudas, a questão dos viveiros. Tendo a Listagem das Espécies Recomendáveis poderemos partir para a produção das espécies que interessam à arborização de ruas e garantir o fornecimento de uma variedade maior de espécies. A reprodução de plantas nativas deve ser iniciada pelos órgãos públicos, os Departamentos de Parques e Jardins, que devem investir em pesquisa para garantir a almejada diversidade de plantas no meio urbano. Os viveiristas particulares seguramente seguirão as prefeituras na produção de nativas quando essas prefeituras, através da produção de seus viveiros, criarem uma demanda, tornando essas plantas comercializáveis. Lembramos que a muda de árvore de rua tem um porte e uma preparação específicos. Esse porte e essa preparação regularmente não é aten­dida o que causa sérios prejuízos aos resultados da orborizoçõo de ruas.

Projeto de arborização de ruas

O próximo passo é o Projeto de Arborização de Ruas. Para essa etapa começamos por um levantamento da situação existente, quando cadastraremos a vegetação existente e faremos um levan­tamento do caráter histórico e urbanístico do local determinando a que quadro urbano pertence o logradouro. Um cuidado especial deve ser tomado para não desfigurar um quadro paisagístico já consagrado na tradição da cidade. Toda uma série de elementos da paisagem da rua deverão ser levantados como as característi­cas físicas enumeradas anteriormente, a presença de equipamen­tos públicos, o tipo de tráfego, o caráter de uso da via, a sinaliza­ção e segurança de tráfego, inclusive faixas de pedestres e visual de cruzamento, a presença de placas de denominação do logradouro, as características de insolação e ventilação, seja quan­to à sua orientação geográfica, seja quanto ao tipo, altura, recuos e outras características das construções tendo em vista garantir uma melhoria das condições de conforto ambiental do logradouro. Tendo feito esse levantamento da situação existente poderemos passar para a escolha das espécies adequadas. Escolhida a espé­cie ou espécies que serão empregadas passamos a nos preocupar com o canteiro ou faixa da árvore, o pedaço do piso não imper­meabilizado necessário para o desenvolvimento adequado da árvore. Poderíamos adotar, então, a recomendação para árvores de copa grande, de cada lado da borda do tronco deve ser deixa­do livre de qualquer impermeabilização a distância de 1,50 metros e para árvores de copa pequena essa distância deve ser de 1,00 metro (HÓSTER 1991).

Plantio e instalação de protetores e tutores

Ao projeto segue-se o Plantio e a instalação de Tutores e Protetores.

Para evitar danos à muda plantada como o arrancamento e prejuízo às raízes pelo vento e outros choques mecânicos, que pode­riam, também, tirar a árvore do seu prumo com sérios prejuízos para seu desenvolvimento e à funcionalidade da via, toda árvore plantada deve ser tutorada. Esses tutores não devem em hipótese nenhuma prejudicar o torrão das raízes que até este momento foi tão cuida­dosamente preservado (LEHR 1975, p. 384). Em áreas centrais urbanas usam-se protetores para evitar danos, notadamente, à casca das árvores. De alguma forma deve ser evitado o adensamen­to do solo no âmbito do canteiro ou faixa da árvore.

Manutenção e conservação

Após o plantio vem o período de manutenção e conservação, onde deve-se cuidar da irrigação, das adubações de restituição, das podas, da manutenção da permeabilidade do canteiro ou faixa da árvore, o tratamento fitossanitário e, por fim, a renovação do plantio, seja em razão de acidentes, maus tratos ou pela senescência da planta.

Cadastro da arborização de calçadas

o elo final desta cadeia de eventos que constitui o processo da arborização de ruas é o Cadastro da Arborização de Calçadas. Será ele o retroalimentador de todo o processo. Este cadastro é um instrumento que permite uma melhor avaliação do comportamento das espécies vegetais nas calçadas das ruas, o conhecimento da adequação das espécies, seu estado fitossanitário. Com um cadas­tro bem orientado pode-se dar um cunho científico a todas as observações referentes às árvores de rua.

Conclusão

. O uso das normas aqui preconizadas tenta corrigir as dis­torções causadas pelo mau emprego de árvores no meio urbano, mau emprego determinado pela ignorância de que o assunto per­tence ao Urbanismo, devendo, por isso, respeitar as peculiaridades do meio e da vida urbanos.

O uso de árvores no desenho urbano deve dar especial atenção ao problema da memória, do patrimônio histórico, do fato cultural que é a cidade, procurando harmonizá-lo com as neces­sidades reveladas pela ecologia na preservação da diversidade biológica, ponto crucial do mundo contemporâneo, que não con­segue discernir mais a fronteira entre a paisagem natural e a pai­sagem cultural.

Normas para o Projeto de Arborização de Calçadas

Levantamento da situação existente

Cadastramento da vegetação existente

Deverá ser cadastrada toda a vegetação arbórea, arbustiva e herbácea existente com locação de canteiros e faixas ajardinadas, com identificação das espécies existentes, anotações de porte, condições fito-sanitárias e de vegetação (podas, deformações, ca­racterísticas de formação de tronco e copa, etc.).

Cadastramento das instalações

Deverá ser feito o cadastramento e locação de todas as insta­lações existentes, devendo as concessionárias dar a locação e pro­fundidade das instalações subterrâneas, bem como determinar as áreas onde não possa haver interferência das árvores; locar e esta­belecer os espaços a serem deixados livres próximo e sob as fiações e instalações aéreas e ILUME deve fornecer e locar o cone a ser mantido livre de qualquer interferência das luminárias instaladas no logradouro.

Servidão de particulares do sub-solo no passeio público

Deverão ser cadastradas e locadas todas as servidões de uso do sub-solo do passeio público com o intuito de avaliar a sua inter­ferência no projeto de arborização.

Sinalização e segurança de tráfego

Deverão ser cadastrados e locados pelo DSV-CET todos os semáforos, placas e outros sinais de trânsito existentes no logradouro a ser arborizado de modo a garantir a não interferên­cia da arborização no funcionamento dessa sinalização.

Deverão ser observadas as distâncias livres de qualquer obstáculo à visual de cruzamento de vias de conformidade com a velocidade dos veículos permitida nessas vias conforme prescrição do DSV-CET.

Denominação de logradouros (placas indicativas)

A arborização não deve interferir no reconhecimento das pla­cas de denominação de logradouros.

Classificação da via

Para orientar a escolha das especies adequadas deve ser determinado o caráter de uso da via (via local, secundária ou prin­cipal); verificando-se, também, o tipo de veículos que trafegam na rua (automóveis, caminhões, ônibus) e quantificar o fluxo de pedestres.

Conforto ambiental

As características de insolação e ventilação do logradouro seja quanto à sua orientação geográfica, seja quanto ao tipo, altura, recuos e outras características das construções, devem ser avaliadas de modo a obter, dentro do possível, uma melhoria das condições de conforto ambiental.

Levantamento do caráter histórico e urbanístico do local (quadro urbano)

Deverá ser observada a legislação de preservação referente ao logradouro e das edificações e monumentos nele existentes. De qualquer forma, mesmo que para o logradouro não exista legis­lação de preservação o seu caráter urbanístico deve ser observado e traçadas as diretrizes para a sua manutenção após a arboriza­çõo, determinando-se perspectivas (vistas), visuais sobre edifi­cações significativas, belvederes que se abrem para a paisagem circundante e tipologia das edificações.

Escolha das espécies de árvores adequadas

Tendo em vista as características definidas pela análise dos itens anteriores, serão escolhidas as espécies adequadas para plantio no logradouro, bem como seu compasso de plantação.

Estabelecimento do canteiro ou faixas da árvore

Tendo em vista as condições existentes adotar-se-á uma área não impermeabilizada para o plantio das árvores seja na forma de canteiro ou faixa, que deve permitir a infiltração de água e a aera­ção no solo em volta das árvores. As dimensões recomendadas para essas áreas não impermeabilizadas, sempre que as carac­terísticas das calçadas (passeio público) o permitirem, são:

Para árvores de copa grande

De cada lado da borda do tronco deve ser deixado livre de qualquer impermeabilização a distância de 1,50 metros;

Para árvores de copa pequena a distância deve ser de 1,00 metro.

Normas para a Arborização de Calçadas

Características das espécies a serem utilizadas no plantio em calçadas

As espécies devem:

· estar adaptadas ao clima;

· ter rusticidade;

· ter porte adequado ao espaço disponível;

· ter sistema radicular que não prejudique o calçamento;

· ter forma e tamanho da copa compatíveis ao espaço disponível;

· ter frutos pequenos;

· ter flores pequenas e pouco suculentas;

· ter folhas, preferivelmente, pequenas e não coriáceas;

· não apresentar princípios tóxicos, nem espinhos.

Evitar espécies que:

· tornem necessária a poda,
· tenham madeira mole ou caule e ramos quebradiços,
· sejam susceptíveis ao ataque de cupins e broca.

É proibido plantar:

- Eucaliptus spp (eucalipto), Schizolobium parahyba (guapuru­vu), Ficus spp (figueiras, em qerol], Delonix regia (f1amboyant), Chorisia speciosa (paineira), Pinus spp (pinheiro) e Spathodea campanulata (tulipa africana).

Espécies frutíferas:

O uso de espécies frutíferas, comestíveis pelo homem, deve ser objeto de projeto específico.

Espécies recomendadas:

· Espécies nativas de pequeno porte (até 5m, de altura) ou arbustivas conduzidas para experimentação;

· Espécies exóticas de pequeno porte (até 5m. de altura) ou arbustivas conduzidas para experimentação;

· Espécies nativas de porte médio (5 a 10m. de altura) para experimentação;

· Espécies nativas de grande porte (maior que 10m. de altura) para experimentação na arborização de praças e canteiros cen­trais;

· Espécies consagradas na arborização urbana.

·As espécies para experimentação devem ter o plantio restrito e monitoramento do seu desenvolvimento.

Características das Mudas a Serem Utilizadas no Plantio em Calçadas

Altura mínima de 2,20 m.

Diâmetro mínimo à altura do peito (dap) de 0,03 m. Altura da primeira bifurcação não inferior a 1,80 m. Ter boa formação.

Ser isenta de pragas e doenças.

Ter sistema radicular bem formado.

Nos passeios, em pelo menos um dos lados da rua, deve ser preservada uma feixe de, no mínimo, um metro de largura, livre de interferências subterrâneas, para a arborização (Esquema de Distribuição de Equipamentos, do Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas).

Em todas as calçadas deve ser preservado o espaço mínimo

de 1,00 m. para trânsito de pedestres.

Equipamentos públicos: · Fiação elétrica

Em calçadas sob fiação elétrica devem ser plantadas apenas árvores de porte pequeno (até 5 m).

Nas situações de conflito, entre fiação elétrica e arborização, deverá ser ponderada a possibilidade da realização de podas “ver­sus” reforma da rede de energia elétrica, ou a substituição da arborização.

· Iluminação pública

As árvores devem ser plantadas de maneira que suas copas não interfiram no cone de luz projetado pela iluminação pública. Nos locais onde já existe arborização ou árvores isoladas, o trajeto luminotécnico deve respeitar as árvores existentes, inclusive ade­quando postes e luminárias às condições locais.

Nos locais onde a arborização e a iluminação pública estão conflitando, devem ser ponderados os custos/benefícios envolvidos na realização de podas, reforma da rede de iluminação ou substi­tuição da arborização, num acordo entre os órgãos responsáveis.

Nos locais onde não existe iluminação nem arborização, deve ser elaborado um projeto integrado de arborização e iluminação, pelos orgãos envolvidos.

· Outros equipamentos

Equipamentos Distância Minima.

Guias rebaixadas, ligaçães damiciliares em geral e outras mobiliários urbanos 1 m.

Placas indicativas,semáforos árvores de porte pequeno poste de iluminação e energia elétrica 5m.

Árvores de porte médio e grande 7,5 m.

Esquinas 5 m.

Faixas de pedestres 3 m.

Canteiros centrais:

· Os canteiros centrais com largura igualou superior à 1,00 m. não devem ser impermeabilizados, a não ser nos espaços desti­nados à travessia de pedestres e à instalação de equipamentos de sinalização e segurança.

· Os espaços não impermeabilizados devem, no mínimo, ser revestidos por gramado ou forração compatível e receber trata­mento paisagístico, preferencialmente com espécies arbóreas. Devem ser seguidas as mesmas técnicas de plantio de arborização de calçadas e as espécies escolhidas deverão estar em harmonia com os equipamentos públicos.

· Em vias novas ou de renovação, deve haver integração dos projetos de paisagismo e infraestrutura, através do entendimento entre os órgãos.

Calçadas Verdes:

Observe a Lei Municipal no 10.508 de 04.05.88, capítulo 4, no que não conflitar com estas Normas.

Calçadões (rua de pedestres):

Devem ser elaborados projetos específicos, a serem analisa­dos pelos órgãos competentes.

Observações Gerais:

· A arborização deve respeitar as características arquitetônicas e paisagísticas do local.

· A orborizcçôo deve estar adequada ao fluxo de pedestres e ao trânsito local.

· Não plantar sobre qualquer tubulação ou equipamento sub­terrâneo que esteja a menos de 1,0 metro de profundidade.

· Devem ser removidas as lajes ou pisos desativados encontra­dos por ocasião da abertura das covas.

Plantio

Prepara do solo:

· A cova deve ter dimensões mínimas de 60 x 60 x 60 cm., devendo conter com folga o torrão.

· A cova deve ser aberta de modo que a muda fique centra­lizada e tenha o caule no mínimo 60 cm. distante da face externa da guia (meio fio).

· O solo de preenchimento da cova deve estar livre de pedras, entulho e lixo.

· O solo inadequado, ou seja, compactado, subsolo, ou com entulho e pedras, deve ser substituído por outro com constituição, porosidade, estrutura e permeabilidade adequada ao bom desen­volvimento da espécie plantada.

· Todo entulho decorrente da quebra do passeio para a aber­tura da cova deve ser recolhido. O perímetro da cova deve ser requadrado em seguida ao término do plantio.

· Sempre que as características das calçadas (passeio público) permitirem deve ser mantida uma área não impermeabilizada em torno das árvores, seja na forma de canteiro ou faixa.

Em todas as situações, deve ser mantida uma área permeável de, no mínimo 60 cm de diâmetro, em torno da muda.

Plantio propriamente dito:

· A muda deve ser retirada da embalagem com cuidado e apenas no momento do plantio.

· A muda deve ser amparada pelo tutor, cuja altura a partir do nível do solo seja de 1,70 m.

· O colo da muda deve ficar ao nível da superfície.

·A muda deve ser fixada ao tutor por amarrio de sisal ou si­milar, em forma de oito deitado.

· O solo ao redor da muda deve ser preparado de forma a criar condições para a captação de água.

· A muda deve ser irrigada até sua completa consolidação.

·O protetor, quando utilizado, deve ser fixado ao solo de modo a impedir o seu tombamento ou arrancamento.

Protetores e Tutores (Especificações)

Protetores

· A altura mínima, acima do nível do solo, 1,60 m.

. A área interna deve permitir inscrever um círculo com diâmetro mínimo de 60 em.

· As laterais devem permitir os tratos culturais.

·Os protetores devem permanecer por, no mínimo, 2 anos após sua colocação e durante o período de permanência deve ser conservado em perfeitas condições.

· No protetor deve estar gravado, de maneira indelével, o ano de sua fixação.

· Projetos de veiculação de propaganda nos protetores devem ser submetidos à apreciação de órgão competente.

Tutores

· Os tutores devem ter as seguintes dimensões mínimas:

- 2,30 m. de altura, 0,04 m. de largura e 0,025 m. de espessura;

- quando roliços, diâmetro mínimo de 0,04 m.

· As palmeiras e mudas com altura superior a 4 m. devem ser amparadas por 3 tutores.

Manutenção e Conservação da Arborização Urbana

Irrigação

As árvores devem ser irrigadas nos períodos de estiagem. Podas, supressão, remoção e transplante

Deve ser observada a Lei Municipal n? 10.365 de 22.09.87 Os ramos com diâmetro superior à 3 em, ao serem podados, devem ter a superfície exposta, pincelada com uma mistura imper­meabilizante e antisséptico.

É obrigatória a desbrota (retirada dos ramos laterais) nas mudas plantadas em calçadas.

Fatores Estéticos

Caiação

É proibido caiar ou pintar árvores.

· Publicidade

É proibida a fixação de publicidade nas árvores.

Placas de identificação

·No caso do uso de placas de identificação de árvores, amar­rá-las numa altura acessível à leitura, usando material extensível, substituindo anualmente.

· As placas devem ter 20 x 30 cm. de tamanho, cor verde e letras escritas em branco.

· As placas devem conter as seguintes informações: nome popular, nome científico, família botânica e origem.

· As placas devem ser substituídas sempre que necessário. Renovação de Plantio

As árvores plantadas em vias públicas devem ser substituídas quando estiverem inadequadas ao local, deformadas e/ou enfraquecidas por doenças, ataque de pragas, podas sucessivas e acidentes.

Árvores antigas, com sinais de degeneração por senescência, devem ter sua substituição providenciada.

Na renovação de plantio considerar:

· As normas de arborização urbana,

· A solução dos problemas que possam ter ocorrido na arborização anterior.

· As espécies tradicionalmente utilizadas na região.

Práticas Fitossanitárias

A decisão de efetuar um tratamento fitossanitário, ou executar uma poda adequada ou ainda a eliminação da árvore, deverá se nortear pelos parâmetros abaixo relacionados:

· legislação vigente,
· raridade da espécie,
· viabilidade da prática fitossanitária,
· possibilidade de transplante,
· risco de queda da árvore.

Referências Bibliográficas

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Anexo 1: Sugestão de Protetor-Tutor para Experimentação

Devem ser empregadas estacas construídas por troncos de madeira sem a casca e tratados com produtos de proteção à madeira, não venenosos ou lesivos às plantas. O mesmo procedimento deve ser seguido para o material de fixação. A madeira das estacas e o material dos elementos de fixação das plantas devem ter a duração mínima de dois períodos de vegetação.

As estacas serão cravadas antes do plantio da muda para evitar danos às raízes e outras partes vegetativas. As estacas devem penetrar no solo não revolvi­do, em profundidade igualou superior a 30 cm. abaixo do nível do fundo da cova e ficarem fixadas por si mesmas sem o auxílio de argamassas ou outros ele­mentos de fixação.

As cabeças das estacas danificadas pala cravação devem ser cortadas. O alto da cabeça das estacas deve ficar em distância igualou superior a 25 cm., para os troncos altos e, igualou inferior a 10 cm., para troncos baixos, em relação ao ponto de abertura da copa.

 

Fonte: A Questão Ambiental Urbana : Cidade de São Paulo / Prefeitura do Município de São Paulo , Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – São Paulo : A Secretaria, 1993.

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