A riqueza do Brasil é proporcional à sua extensão e à sua beleza: extraordinária.
Que é a riqueza? Houve época em que se aquilatava a riqueza de um país pela quantidade de metais preciosos nele encontrados.
À luz desse critério, torna-se incontestável a precedência de nossa Pátria. Abundam em várias regiões do seu território minas de ouro e jazidas diamantinas.
Uma das suas grandes divisões políticas chama-se significativamente Minas Gerais, e há lugares denominados, com propriedade, Ouro Branco, Ouro Preto, Ouro Fino, Diamantina.
A par do ouro e do diamante, acham-se no Brasil todas as preciosidades minerais.
Dir-se-ia o seu solo um imenso escrínio de gemas. Com materiais exclusivamente brasileiros se construiriam maravilhosos palácios e se fabricariam as mais finas e custosas jóias.
Disse um sábio que Minas Gerais representa um peito de ferro com um coração de ouro. Elevam-se ali montanhas daquele metal.
De Minas Gerais extraiu-se, no correr de mais de um século, enorme quantidade de ouro que encheu o Erário da metrópole, permitindo-lhe ostentoso fausto e a edificação de notáveis monumentos, quais o convento de Mafra e o aqueduto de Lisboa.
Em certos pontos, ainda hoje, até a poeira dos caminhos é aurífera.
Deparam-se ao viajante extensas zonas escavadas à procura do ouro, nos tempos coloniais.
Não estão esgotadas. Por meio de processos primitivos, pouco se alcançou.
Venham os aparelhos modernos, labore-se cientificamente o terreno, e magníficas remunerações se hão de receber, como já vai sucedendo.
O Brasil deve tornar-se o verdadeiro Eldorado que tanto nele buscaram os antigos aventureiros.
É brasileiro um dos maiores diamantes conhecidos, o maior do Novo Mundo, a Estrela do Sul, achado no município da Bagagem, Minas Gerais, pedra que muda de cor, de branca, conforme a sua exibição à luz.
Muito admirada na exposição de Paris, em 1855, pertence hoje a um príncipe indiano, o Rajá de Baroda.
Fonte: Afonso Celso,Porque Me Ufano do Meu País, Origem 1908, Editores Laemert & C. Livreiros.